O Despertar, por Fábio Guolo
Draco Saga #1
Editora: Independente (Selo Brasileiro)
Nota: 9,5
Imagine entrar em coma, acordar alguns anos depois e descobrir que sua sociedade e sua cultura estão sendo destruídas por uma praga que se propaga mais rápido do que é possível conter. A praga, porém, somos nós. Humanos, mortais, gananciosos, sedentos por poder e riqueza em um mundo novo. Mundo este já anteriormente dominado por seres de inteligência muito superior que nos permitiram viver em paz em seus domínios por muito tempo. No entanto, não valorizamos a liberdade que nos fora dada. Agora o preço a pagar pode ser alto demais!
Recebi “O Despertar” por causa do
book tour do Selo Brasileiro. Confesso que demorei um pouco pra engatar a
leitura, até porque passei outros livros na frente dele. Mas uma vez que comecei
a ler o livro, não consegui mais parar de pensar na estória, que é boa demais!
Dryfr é um poderoso dragão
dourado que, após 29 décadas de hibernação, acorda de seu sono pensando que
havia se passado apenas três meses de inverno. Notando que algumas coisas estão
diferentes, mas sem saber por que, o Draco vai de encontro a seu Mestre, o “pai”
de todos os dragões. E qual é a sua surpresa por saber que, durante todo este
tempo em que passou desacordado, os dragões tem lidado com uma nova espécie que
foi trazida ao Seu Planeta magicamente... Os seres humanos.
Uma raça claramente inferior, mas
que vem causando vários danos durante estes séculos, os seres humanos vem
preocupando cada vez mais os Dracos. Além de destruírem o Planeta onde vivem,
estes seres, desprezados pelos dragões, que se consideram superiores e muito
mais evoluídos do que eles – o que realmente são – ainda tiveram a ousadia de
roubar ovos dos Dracos, sabe-se lá para que.
Durante uma reunião do Conselho
dos Sábios, do qual Dryfr agora faz parte, fica-se decidido então como acabar
com a raça humana. Atacando, disfarçadamente, os seus vilarejos mais pobres,
mas onde há plantações e animais que sustentam as Cidades. Mas os planos mudam,
e agora o alvo é Quatro Pontas, uma “Cidade” dividida entre quatro regiões,
cada uma pertencente a um reino. Infiltrando-se, os Dracos vão descobrindo
segredos, muitas vezes tenebrosos, e arquitetando a explosão de uma Guerra, que
já estava para acontecer a muito tempo.
Além de ter que lidar com a
missão que lhe foi dada, Dryfr divide o seu tempo entre isto e cuidar de sua
fêmea, Wylyn, que está esperando um filhote seu. Mas eles não são um casal
comum de dragões. Eles tem sentimentos. E Dryfr, à medida que o tempo passa,
descobre cada vez mais sobre o que ele sente pela “esposa”, o que o ajuda,
também, a entender melhor o comportamento humano, e o melhor a se fazer em sua
missão.
Só que os reinos escondem muito
mais do que os Dracos imaginam; principalmente Nova Roma, que Dryfr está
encarregado de vigiar. Lá há mais segredos do que em qualquer outra região, e é
lá que Dryfr, disfarçado, conhece Taramar, uma bruxa que é muito mais do que
aparenta ser.
Não devo contar muito mais da
estória, porque afinal, o livro é curto, tem apenas dez capítulos, e eu posso
já ter falado demais. Devo dizer que “O Despertar”, sinceramente, superou as
minhas expectativas. Óbvio que eu sabia que seria uma estória de dragões; mas
não imaginei que eles seriam retratados deste jeito. E também, a narração do
autor, o modo como os mistérios foram introduzidos à estória, as conversas
sábias, os reinos... Tudo é bom demais!
Na verdade o livro é uma crítica
ao comportamento humano, pois ele retrata exatamente o que nós fazemos, e como
somos tolos. A diferença é que – até onde sabemos – não existe uma raça de
dragões prontos a nos retirar da face da Terra, rs. Mas realmente, eu fiquei
pensando bastante nisto. No que fazemos com o Planeta, e uns com os outros. Os
seres humanos poderiam ser um povo mais evoluído, como os dragões, se não se
deixassem levar pelas futilidades, como os Dracos chamam.
E o principal: que final foi esse? Confesso que, durante o
relato da Guerra, eu fiquei entediada, e queria ter passado as páginas (o que
me fez “tirar” meio ponto da nota total), mas os dois últimos capítulos me
deixaram vidrada no livro. Fiquei tão triste pela Wylyn, D: E com muita raiva
da Taramar. Caramba, eu fiquei triste, irada, confusa, curiosa... Tudo ao mesmo
tempo! Gostei do final, deixou uma grande abertura pro próximo livro começar
super bem. E me deixou querendo ler "A Sentinela" JÁ!