sexta-feira, 22 de julho de 2011

Resenha: Teia Virtual

Teia Virtual, por Carlos Eduardo R. Bonito
Editora: Literata
Páginas: 260
ISBN: 978-85-63586-06-3
Preço: R$24,90 (Compre aqui)
Nota: 3/5
A internet é realmente um dos maiores veículos de comunicação já criados na atualidade. Nela podemos ser o que queremos, fugindo assim do mundo real, criando um mundo paralelo, onde figuramos de anjos a demônios, podendo até alimentar o ódio de não ser aceito pela sociedade no mundo real. Assim começa a elaboração de uma teia nociva, permissiva e a falsa impressão de se conseguir tudo o que se quer pela lei do menor esforço. Pessoas emocionalmente vulneráveis, de alma fraca, que transitam do mundo real ao virtual, na busca das soluções para seus problemas ou do sucesso pessoal, como, por exemplo, ser bem sucedida, como a invejada prima, sem nenhum esforço, acabar com a depressão, por ser um astro de rock e não saber lidar com o sucesso e a fama, ou alcançar a felicidade, estabilidade financeira e ser aceito como homossexual, no seio de uma família com valores que não aceitam esse comportamento, ou até mesmo, indo mais além, aos olhos da crença de uma ex-atleta, a palavra de Deus é distorcida e usada para se libertar e “libertar” a alma do seu marido, onde, na verdade só há o desejo de vingança. Afinal, a indução ao ódio é possível? Devemos ou não libertar os nossos demônios? Tudo é possível, quando se deixa cair e se prender a uma Teia Virtual doentia criada por um ser humano com uma inteligência fora com, mas renegado pela sociedade.

Demorei séculos pra postar essa resenha, porque sinceramente, demorei séculos pra terminar de ler o livro. Recebi-o pelo Book Tour do Selo Brasileiro e, portanto, tinha um prazo de 15 dias para lê-lo. E levei, realmente, quase quinze dias pra chegar ao final. Vocês saberão por quê.

Teia Virtual fala, óbvio, sobre internet. Mas, mais ainda, sobre os males que ela pode trazer, e sobre pessoas ruins, que se aproveitam da boa ‘net’ pra induzir outras pessoas a fazerem coisas que elas normalmente não pensariam em fazer, mas que, na verdade, sentem vontade, bem lá no fundo.

Nos é apresentado, logo no começo do livro, o promotor Alexandre, praticamente o personagem principal da história, e também a linda jornalista Helena, com quem ele namorou na faculdade, mas acabaram se separando por causa de um infortúnio. Conhecemos também Beth, uma advogada que defende com unhas e dentes os seus clientes, mesmo nos casos tratados como impossíveis. A história começa em um julgamento, em que a cliente de Beth diz ter sido induzida a matar sua prima, pelo seu amigo virtual, Fábio. Até aí seria “normal”, poderia ser considerada uma mentira, para tentar aliviar os anos que ela passará na prisão. Mas os casos seguintes – um rock star que matou seu empresário, um homossexual que matou seu pai e etc – tem a mesma coisa em comum: os “assassinos” tinham um amigo virtual, que lhes induzia a cometer os crimes. E assim o rolo todo começa.

Sinceramente, a trama não é ruim. A sinopse, apesar de grande, não revela muito – pra quem não leu a história -, mas está tudo ali, entrelinhas. O fato é que Teia Virtual é um livro que não me prendeu nem um pouco, infelizmente. Em minha opinião, são muitos capítulos – 75 + o epílogo, no total – bem pequenos, que poderiam facilmente ser transformados em uns 30, no máximo. Eu gostei da troca de pontos de vista, e achei muito construídas as perspectivas dos personagens, mas também acho que poderia ser indicado quando o ponto de vista mudou.

Além disso, algumas vezes a narração passava de primeira para terceira pessoa, assim, no mesmo capítulo, do nada. Foram poucas vezes, admito, mas o livro precisa de uma revisão, porque acaba confundindo o leitor. Fiquei triste com o final, mas até deu pra entender um pouco porque ele foi assim. Meio que deixa uma mensagem: não adianta você ter rancor de uma pessoa, porque amanhã ela pode não estar mais com você. O livro também deixa outra mensagem importante: cuidado com a internet. Nem todos que a usam querem o bem alheio, e temos que estar sempre atentos a essas pessoas.